terça-feira, 20 de julho de 2010

E agora Brasil?

cbf
Passada a ressaca da Copa da África é hora de pensar na Copa do Mundo do Brasil de 2014 e, por ser técnico de futebol, não falo da questão de construção/reforma de estádios e de outras coisas estruturais e organizacionais, mas sim de um verdadeiro planejamento em longo prazo para a seleção brasileira de futebol.


Confesso ter sido um grande crítico da equipe brasileira nos últimos quatro anos, e isso aconteceu principalmente por questão ética/profissional e por discordância de pensamentos e aplicações táticas da equipe brasileira. Mas quero deixar claro que apesar dos desacordos e críticas, reconheço os bons resultados e o ótimo aproveitamento da seleção nesta “Era Dunga”, que alcançou 76,6% de pontos conquistados.
De qualquer forma, como em toda organização, empresa, associação ou departamento, penso que deve ser feito um balanço minucioso da última “gestão”, colocando na balança os erros e acertos deste último trabalho, e principalmente traçar um grande objetivo e as pequenas e médias metas que constituirão este objetivo. No caso da seleção brasileira o objetivo é óbvio: a conquista da Copa do Mundo em casa, levantando o troféu em pleno Maracanã, apagando de vez o “desastre” de 1950.
O futebol atualmente é baseado na ciência, e não pense que quando falo em ciência me limito à questão fisiológica, pois atualmente temos avaliações, teorias e métodos referentes à questão técnica, tática e psicológica. O futuro ocupante do cargo da seleção brasileira, além de estar cercado de profissionais capacitados, deve ter conhecimento de todos os fatores inerentes ao rendimento esportivo individual e coletivo, afinal ele será o líder do projeto de 2014. Há necessidade então de um profissional capacitado, atualizado e, sem dúvida, competente. Alguém que tenha inteligência e liderança para comandar, em todos os sentidos que esta palavra possa ter, o principal time brasileiro.
Quanto ao projeto em si, tenho lido e escutado diversas “receitas” para a formação desta seleção, e muitas delas são baseadas (leia-se copiadas) do projeto da seleção alemã, que se iniciou após a Eurocopa de 2004 e dando resultados na Copa de 2006 e de 2010, onde conquistou nas duas oportunidades o 3o lugar (surpreendendo o mundo pelo bom rendimento técnico/tático na África do Sul). Este projeto é basicamente a reestruturação das categorias de base, dando valor a estes atletas formados com experiência internacional nas categorias de base, e em médio e longo prazo, a utilização destes na seleção principal. Uma boa imagem que poucas pessoas perceberam e/ou comentam é da campeã Espanha, que é um grupo que foi formado desde a desclassificação da Copa de 2006, como abordei no post anterior (LEIA AQUI).
Agora a pergunta: Existe a receita perfeita? Penso que não. Pois não adianta copiar modelos (mesmo que sejam modelos vencedores) de seleções que tem realidades muito diferentes da nossa. O Brasil é um pais de proporções enormes, onde a cada segundo nasce um potencial jogador de futebol, o que não acontece no caso de Espanha e Alemanha por exemplo. O ideal, portanto, é realizar um balanço um pouco maior, englobando a Copa de 2002, 2006 e 2010 tirando pontos positivos e negativos, além de analisar os projetos realizados em outros lugares e adaptando à nossa realidade (principalmente no que diz respeito as seleções de base).
É possível, desde já, montar uma base forte e sólida com jogadores jovens mas muito experientes mesclando com líderes mais rodados e experientes (que não serão necessariamente aproveitados para a Copa de 2014, mas contribuirão na formação do grupo), dando oportunidade para jovens capacitados que surjam no decorrer dos próximos anos (Afinal, aqui é Brasil!!!). Jogador de altíssima qualidade “nunca” faltará, muito menos nos próximos quatro anos, portanto, o que se precisa é de organização, coragem e liderança para iniciar o projeto 2014.
A previsão é que a CBF anuncie o comandante desta seleção neste final de semana, torço para que seja um profissional formado em Educação Física (Já que um formado em Esporte ou Ciência do Esporte por enquanto é impossível!), podendo ter sido jogador profissional ou não, e que tenha experiência em treinamento de categorias de base (característica interessante para formação de um grupo novo e jovem) e,, é claro, experiência e bons resultados em grandes equipes profissionais. Assim que a CBF anunciar o novo técnico, aproveito e escrevo um post a respeito e abriremos uma discussão a respeito!
Qual a sua opinião? Como deve ser o projeto Brasil 2014? Deixe sua opinião ou mesmo entre em contato!!
Abraços

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