sexta-feira, 16 de julho de 2010

ESPAÑA: La Fúria Roja... Campeón del mundo!!!!





            


                          Por razões profissionais/acadêmicas, como falei no post anterior, estou um pouco ausente do blog, mas não poderia de maneira nenhuma deixar de falar da Espanha, time sensação do momento e dos ultimos anos, e a mais nova seleção a entrar para o hall das campeãs mundiais.

A Fúria, assim como é o Barcelona no contexto clubístico, é a coqueluche no futebol mundial atual. Com um futebol dominante e envolvente encanta o mundo desde a campanha da EUROCOPA 2008, que culminou na conquista do deste título continental.
Mas, devemos considerar o inicio desta geração campeã no exato momento da eliminação na Copa de 2006, quando perdeu nas oitavas-de-final para a França pelo placar de 3X1. E mesmo assim com aquela derrota, a Real Federación Española de Fútbol renovou o contrato do técnico Luis Aragones, responsável por estruturar a base desta equipe, que como dito anteriormente, conquistou a EUROCOPA DE 2008.
Dou grande importância no fato da formação de uma estrutura-base desta equipe, formada pelo Luis Aragones, pois após a conquista do título europeu, este treinador decidiu não continuar à frente da equipe, dando lugar a Vicente Del Bosque, técnico credenciado por títulos conquistados com a primeira versão dos Galácticos do Real Madrid. Del Bosque foi realizando mudanças graduais na equipe, adequando ao seu modelo de jogo, estilo de equipe e posicionamento tático, inclusive renovando esta seleção, convocando atletas novos, mas de ótima qualidade, como o zagueiro Piqué, o volante Busquets, além de Navas e Juan Mata.


Podemos definir a Espanha como a “Equipe do jogo Coletivo”, “Equipe do jogo bem jogado”, “Equipe da Posse de Bola”. Este é o modelo de jogo deste time: Manutenção de posse de bola, Circulação da Posse de bola (independente de como o adversário joga) em busca do espaço para finalização, Rápida transição Defesa-Ataque, Rápida transição Ataque-Defesa, Ótima compactação Defensiva (especialmente no contra-ataque adversário) e Alta Taxa de Finalização em Gol.
Na questão do desenho tático, temos dois principais sistemas táticos utilizados, o 4-4-2 “Quadrado” e o “Moderno” 4-2-3-1, e estes sistemas sempre são utilizados de forma conjunta, sendo um variação do outro.
Mas, pela importância e qualidade desta equipe, vamos analisar as “fases” da Espanha ao longo dos jogos da Copa do mundo, fases que ilustram os momentos táticos desta equipe. Por ser uma competição de média duração, faremos esta análise e ao final do post conseguiremos definir O QUE REALMENTE É A ESPANHA! Certas Fases se repetem, então usarei exemplos de alguns jogos, e o que será de nosso interesse é a forma da Espanha jogar e se comportar e não necessariamente o rendimento jogo a jogo.

FASE 01 - Espanha 00 X 01 Suíça
Nesta Partida, principalmente em razão do fato de Fernando Torres estar recuperando de lesão, Vicente Del Bosque escalou David Silva como companheiro de ataque de Villa. Portanto, temos a seguinte formação: o goleiro Casillas, a linha de zaga composta por Sérgio Ramos (Lateral Direito), Pique (Zagueiro pelo lado direito), Puyol (Zagueiro pelo lado Esquerdo) e Capdevilla; o meio campo foi formado pelos volantes Busquets e Xabi Alonso; e pelos meias Xavi e Iniesta; O ataque, como falado anteriormente, foi composto por Villa e David Silva.
Já nesta primeira partida foi possível observar o modelo de jogo idealizado por Del Bosque e praticado pela seleção. A Espanha utilizou um futebol dominante, impondo seu jogo e utilizando de todos os princípios de ataque (Penetração, Cobertura Excessiva, Mobilidade, Espaço e Unidade Ofensiva), tendo realizado 24 finalizações, sendo 08 em gol.
Na questão Tática, a Espanha inicia esta partida tendo como sistema tático base o 4-4-2 “Quadrado”, mas inúmeras vezes ao longo do(s) jogo(s) varia para o sistema 4-2-3-1, neste jogo Villa atuando como o atacante centralizado, David Silva atuando como meia/ponta direita, Xavi centralizado e Iniesta como meia/ponta esquerda. Deve-se ressaltar a constante troca de posições entre esses dois meias  do Barcelona ao longo do(s) jogo(s).
Não podemos esquecer que esta foi a única derrota da seleção espanhola, que mesmo dominando o jogo e realizando inúmeras finalizações, não conseguiu marcar gols, e em um contra-ataque rápido (e muito confuso!) a Suíça marcou o seu gol, decretando um resultado que pessoalmente classifico como um “acidente de percurso”.




FASE 02 – Espanha 02 X 00 Honduras
                Nesta partida ocorreu a primeira vitória da seleção Espanhola e, além disso, tem importância em nossa análise no retorno de Fernando Torres como titular, o que permitiu que Villa atuasse como meia/ponta esquerda, função em que seu rendimento é muito maior do que atuando como “Único” atacante centralizado. A entrada de Fernando Torres faz com que o 4-2-3-1 se torne o sistema tático principal, deixando o 4-4-2 “Quadrado” como variação tática.



FASE 03 – Chile 01 X 02 ESPANHA
                Apesar da derrota na estréia para a Suíça, na minha concepção, este foi o jogo mais difícil da 1ª fase para a Espanha, e um dos mais difíceis da Copa inteira. Espanha teve dificuldades com o bom futebol apresentado pelo Chile, treinado por “El Loco” Bielsa, mesmo estando pela primeira vez com a equipe considerada titular pelo treinador Espanhol (Já que Iniesta não jogou na partida contra Honduras).
                Contra o Chile, a seleção espanhola atuou predominantemente no 4-4-2 “Quadrado”, sendo este quadrado formado por Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta. Penso que a utilização predominante deste sistema se deve pelo posicionamento do Chile (que atuou num 3-4-3) e pelo futebol ofensivo praticado pela seleção sul-americana, tendo como intuito manter o domínio, numérico e de posse de bola, no meio campo, melhorando recomposição defensiva podendo utilizar os contra-ataques como arma importante.



FASE 04  – Espanha 00 X 01 Suíça // Espanha 01 X 00 Holanda
                Esta fase é importantíssima, por diversos motivos: 1)Manutenção da filosofia de jogo, independente dos atletas escolhidos para exercerem a função; 2) Grande expectativa em cima da partida, por se tratar do confronto com a seleção-espetáculo (Alemanha) contra uma seleção que chegou a semi-final sem o “brilho” apresentado em jogos anteriores à Copa do Mundo (Espanha).
                Nesta partida, Del Bosque escalou Pedro no lugar de Fernando Torres, pelo baixíssimo rendimento técnico apresentado pelo atleta (apesar da importante função tática deste jogador). Esta alteração fez com que Villa centralizasse no ataque, Pedro jogando como meia/ponta direita e Iniesta como meia/ponta esquerda. Portanto, a Espanha jogou atuando num 4-2-3-1.


                O futebol dominante e ofensivo da seleção espanhola fez com que a Alemanha recuasse demasiadamente (característica jamais apresentada pela seleção alemã durante a copa), sendo pressionada constantemente no seu campo de defesa. A Alemanha que atuava num 4-4-2 (utilizando-se de 2 linhas de 4 jogadores), foi sendo envolvida de tal forma que em vários momentos do jogo pudemos visualizar que a linha de defesa e a linha de meio campo alemã estavam muito próximas e compactas. A Espanha realizou uma constante circulação de bola e encontrava inúmeros locais para realizar a penetração, e muitos desses locais foram criados pela movimentação Tática de Xavi, que ao vir buscar a bola trazia consigo um ou dois marcadores, e utilizando um ou dois toques na bola abria o espaço para jogadas de Iniesta, Pedro e Villa. Apesar de o gol espanhol ter acontecido de uma jogada de bola parada, houve inúmeras oportunidades de gol dentro das 19 finalizações realizadas pela Espanha. Destaque para o atacante Pedro, que deu mais velocidade e objetividade à seleção Espanhola, pois este jogador (assim como Villa) utiliza-se de seu talento individual nas zonas laterais do campo na tentativa de uma jogada mais incisiva (drible, fintas e finalizações).



                Esta forma de jogar utilizada na semi-final, foi repetida na final contra os holandeses, mantendo inclusive a mesma escalação. Não creio que a final foi o jogo mais bonito de se assistir, até pelo respeito extremo que cada equipe adotou em relação à outra, principalmente ao longo do tempo regulamentar.
                Ao se iniciar a prorrogação vimos um jogo mais aberto, e a Espanha mesmo com a carga física e psicológica não abdicou da sua forma de jogar, mantendo a posse de bola (teve 57% de posse ao longo do jogo) e alta taxa de finalização (19 chutes a gol). No final da prorrogação, em uma jogada característica espanhola (passes curtos e rápidos), Andres Iniesta marcou o gol que credenciou a Espanha como a mais nova campeã mundial.

Espanha na Semi-Final contra a Alemanha


Espanha na Final contra a Holanda

O QUE É A ESPANHA, AFINAL?!?
                Ao analisar esses momentos/fases e suas características técnico/tática, chegamos a algumas conclusões sobre a seleção espanhola, além daquelas citadas no início do post:
                                - Filosofia de jogo (modelo de jogo) muito bem definido e muito bem executado;
                                - A Espanha sempre atua com um posicionamento tático base, tendo uma variação;
                                - Independente da equipe adversária, a Espanha não altera a essência de seu jogo, apenas pequenos detalhes;
                                - Joga um futebol dominante, controlando o jogo de acordo com sua própria vontade e necessidade, pois consegue com posse da bola direcionar os rumos do jogo;
                                - Futebol de toques rápidos e constantes ultrapassagens e triangulações;
                                - Alta taxa de finalização;
                                - Contra-Ataque veloz;
                                - Recomposição defensiva rápida;
                                - Pouquíssima utilização de ligação direta entre ataque e defesa;
                                - Futebol praticado é dinâmico e ofensivo.


Espanha atuando no 4-4-2 (Espanha X Paraguai)



Espanha atuando no 4-2-3-1 (Espanha X Alemanha// Espanha X Holanda)




Penso que o título mundial está em ótimas mãos, principalmente em uma competição que vimos equipes jogando de forma extremamente defensiva e sem brilho algum. Escuta-se falar que a Copa do Mundo é o período de afirmação de certas coisas no futebol e espero que a forma de jogar e pensar da equipe campeã estimule a formação de equipes, jogadores e mesmo técnicos de futebol com uma consciência coletiva de jogo, valorizando o jogo de uma forma geral e uniforme.
Sobre a Espanha, tenho certeza que este estilo de jogo e forma de pensar se manterá por muito tempo, e só posso exaltar o trabalho dos técnicos Luis Aragones e Vicente Del Bosque, trabalho que renderá frutos por muito tempo, no mínimo mais duas copas do mundo, principalmente pela baixa média de idade da equipe Espanhola.

Deixe seu comentário, vamos trocar idéias, pensamentos e opiniões!!
Forte Abraço


PS: Gráficos retirados do site da Fifa (http://www.fifa.com)

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