quinta-feira, 8 de julho de 2010

Holanda "Digital" - Finalista da Copa do Mundo



                Uma nova versão da Laranja mecânica, talvez melhor definida como LARANJA DIGITAL, pelo modelo de jogo muito bem implantado pelo seu treinador Bert Van Marwijk. Este treinador realizou pequenas, mas profundas no modelo de jogo tradicional holandês, saindo do 4-3-3 clássico para o “moderno” 4-2-3-1.



                Não se pode negar os resultados obtidos com a equipe holandesa posicionada desta maneira, afinal, a Holanda chega à final credenciada por uma campanha absoluta, obtendo um rendimento de 100%, tendo superado equipes renomadas como Uruguai, Brasil e Camarões. Veja no quadro o rendimento Holandês:
 
 
                Esta equipe e sua filosofia de jogo, assim como a equipe alemã e espanhola, foi montada (ou reestruturada) ao longo dos últimos quatro anos, quando levou um time jovem para a Copa de 2006, mantendo o trabalho para a EUROCOPA de 2008 (trabalhos realizados pelo técnico Van Basten) chegando agora, um time mais experiente e rodado, sob tutela de Bert Van Marwijk para a Copa do Mundo de 2010. Esta equipe, diferente de seleções anteriores da Holanda, tem como sua prioridade o resultado, procurando ter o ataque efetivo e mortal, a defesa bem estruturada e segura.
                Abaixo vemos o posicionamento tático utilizado pela Holanda:



 

 
E o posicionamento efetivo dos atletas no campo (no caso, do primeiro tempo da semi-final contra o Uruguai onde Van der Wiel estava suspenso, entrando o lateral direito ainda mais defensivo Boulahrouz):


 Defensivamente, temos uma Holanda muito bem estruturada, onde sua linha de defesa, via de regra joga com Heitinga ou Mat (dependendo do momento) atuando na sobra, tendo os laterais atuando de forma realmente defensiva, sendo auxiliados pelos volantes Van Bommel e De Jong e pelos pontas Kuyt e Robben (este ultimo menos, regalia de ser a estrela da equipe).
A equipe holandesa começa sua filosofia defensiva “cercando” o adversário um pouco à frente da linha do meio campo apenas com o Centro-Avante Van Pierse. Seguindo pela 2ª linha da equipe, composta pelo Ponta Esquerdo Kuyt, o Meio Campo Sneijder e o Ponta Direito Robben, que realizam o primeiro combate juntamente com os volantes Van Bommel e De Jong. No caso de insucesso deste primeiro combate, os pontas, principalmente Kuyt, recuam atuando praticamente como Laterais, dobrando a marcação no meio campo (junto com os volantes) e/ou as laterais do campo (junto aos laterais de ofício e zagueiros). Vemos então a importância dos pontas neste esquema, fazendo com que haja mais jogadores para tentarem o desarme mantendo um atleta como sobra (líbero)com o intuito de impedir ataques por meio de lançamentos.
Esta filosofia de defesa fez com que a Holanda chegasse à final como a sua defesa  obtendo os seguintes números:
- 05 Gols sofridos
- 53 Desarmes
- 18 Desarmes Completos
- 17 defesas
- 11 Chutes Bloqueados


 Com esta defesa bem estruturada, a Holanda coloca em prática uma das suas duas grandes armas, a ótima transição ofensiva. Esta transição ofensiva tem como base a saída de bola da equipe holandesa, que ocorre pela esquerda, com o experiente Gio (que faz a jogada prosseguir pelo meio com Van Bommel e Sneijder ou pelo lado esquerdo com o ponta esquerda Kuyt), pelo meio, com a saída pelos zagueiros chegando até Van Bommel e Sneijder ou pela direita, com Wiel com o objetivo de chegar a bola nos pés de Robben. Esta transição é realizada em altíssima velocidade, culminando em contra-ataques mortais, principalmente nos pés de Sneijder e Robben.
A outra grande arma da seleção holandesa é a manutenção de posse de bola e a circulação da bola pelas zonas do campo em busca da melhor opção de ataque. Esta característica é comprovada pela estatística de que a seleção holandesa tem a 2ª maior quantidade de passes executados e completados, perdendo apenas para a Espanha, que tem no passe a sua principal característica. Esta troca de passe acontece entre o volante Van Bommel, o meio –campo Sneijder, e os pontas Kuyt e Robben, além do lateral esquerdo Gio (lateral que apóia mais na equipe). Na busca pelo melhor posicionamento para a finalização do ataque, essa circulação via de regra termina nos pés dos pontas, que executam jogadas incisivas, como a conhecidíssima jogada de Robben (o drible para o lado de dentro do campo seguida pela finalização) e pelo importantíssimo Kuyt, que executa jogadas, principalmente em assistências para Sneijder, Robben e o  Centro-Avante Van Pierse.

Esta é a Holanda, uma equipe que busca o resultado e vem conseguindo isso, e que terá pela frente a atual campeã da EUROCOPA, a Espanha, equipe que preconiza a manutenção da posse de bola por meio da realização de passes (que falarei no próximo post). Como em qualquer grande partida de futebol, principalmente se esta for uma final de Copa do Mundo, a Holanda precisará se manter fiel à sua filosofia de jogo e agüentar a pressão adversária, diferentemente do que a Alemanha fez.

Espera-se muito dos principais jogadores da Holanda, mas ela, assim como fez em outros jogos, necessita utilizar os talentos individuais de Robben, Sneijder e dos outros atletas de uma forma a manter a identidade coletiva e assim, brigar pelo seu primeiro título.
E pra quem fala em pragmatismo, eu falo em futebol de estruturado e de resultados, o show está na vitória, na defesa bem estruturada e bem executada, no ataque incisivo e na imposição do seu modelo de jogo.

Abraços!!!
 





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