sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ANÁLISE DE JOGO: São Paulo 02 X 01 Internacional – Colorado na final da Libertadores e no Mundial da FIFA


Um jogo digno de uma Semi-final de Copa Libertadores, na verdade um jogo digno de uma final de Copa Libertadores, o significado real desta partida, no momento que a desorganização da competição permite e inclui equipes que não pertencem ao continente sul-americano. Esta situação é como se o Corinthians, Internacional, São Paulo ou outra equipe brasileira jogasse a UEFA CHAMPIONS LEAGUE e chegasse na final, algo totalmente impossível de acontecer e que acarretaria uma desorganização tremenda. E foi isso que a CONMEBOL teve a capacidade de fazer. Mas vamos deixar este fato bizarro de lado e focar no espetáculo, que é o jogo de futebol entre SÃO PAULO E INTERNACIONAL!

Confesso que não assisti na íntegra a partida de ida entre Internacional e São Paulo. Na ocasião, após ter assistido por volta de 20 minutos desta partida, que não me agradou (na minha opinião um jogo morno), e mudei o canal para assistir o jogo Santos X Vitória. Mas posteriormente assisti o compacto da partida na SporTV, e continuei achando um jogo morno, mas com claro domínio Colorado, que fez merecer o resultado e a vantagem na partida de volta no Morumbi.

ANÁLISE DAS EQUIPE

Com o resultado da Quarta-Feira passada, o Internacional iniciava o jogo ganhando a partida por 1 X 0, e desta forma a equipe Tricolor tinha obrigação de tomar o domínio do jogo e reverter este resultado. O técnico tricolor Ricardo Gomes passou a semana inteira escondendo a escalação e utilizando mistério para tentar surpreender na partida, mas seria de se imaginar que ele procuraria uma escalação ofensiva. E de certa forma, foi o que ele fez, mas da mesma forma que foi ofensiva, ele montou um posicionamento que procurasse também anular o contra-ataque gaúcho.  Ele armou a equipe num 4-4-2 (variando entre Losango e Quadrado), com constante variação para o 4-3-3 (onde Fernandão se tornava o Centro-Avante, Cleber Santana e principalmente Hernanes atuando como Meia-Armador).02 - São Paulo do 1o Tempo - Variando do 4-4-2 para o 4-3-3 Já o Internacional, mesmo estando em vantagem no placar, jogou em um esquema equilibrado e tradicional, o 4-4-2 “Quadrado” (variando em momentos para o 4-2-3-1, quando Tailson recuava e se juntava à Tinga e D’Alessandro no meio). De forma equilibrada, o Inter tentava segurar a pressão paulista, sair no contra-ataque e manter a posse de bola o maior tempo possível.03 - Internacional no 1o Tempo
ANÁLISE DO JOGO
O jogo foi uma ótima partida, no contexto geral de um jogo de futebol e principalmente emoção e nervosismo de uma partida decisiva, mas no quesito técnico deixou muito a desejar, pois em praticamente todos os momentos da partida esta emoção foi mais latente que a eficiência técnica.
Como era esperado, São Paulo iniciou pressionando o jogo nos 15 primeiros minutos, de maneira organizada mas pouco efetiva. Após esta pressão inicial, o Inter conseguiu se recupera e equilibra a partida, tornando uma partida muito agradável com as duas equipes buscando o gol adversário e se defendendo muito bem. Este equilíbrio no primeiro tempo ocorreu até o momento da falha descomunal do goleiro Renan, que num lançamento tricolor (padrão básico de jogo são paulino) realiza o avanço e fura a bola e rebate para sua própria meta, onde o zagueiro Alex Silva completa para o gol. Sofrendo o gol desta forma, o internacional ficou abalado, desorganizando totalmente sua equipe e seu rendimento técnico/tático caiu brutalmente até o final do primeiro tempo. O primeiro tempo, apesar do abalo colorado após o gol, foi muito equilibrado, com cada equipe dominando alguns momentos da partida. Renan falhando 
O trabalho de vestiário de Celso Roth foi muito bem feito, a principal prova disso é que a equipe gaúcha voltou no 2o Tempo pressionando de tal forma, que numa cobrança de bola parada (originada de uma falta feita para impedir o ataque gaúcho) marcou seu único gol da partida. D’Alessandro cobrou o tiro livre e Alecsandro desviou a bola (de forma consciente na minha opinião) para a meta tricolor. Mas a igualdade na partida era tão forte que em momentos seguintes, o São Paulo marcou seu segundo gol na partida, numa rebatida para área, Ricardo Oliveira dominou, girou e finalizou tirando do goleiro Renan. Com este gol, São Paulo utiliza definitivamente os 3 atacantes (Dagoberto, Fernandão e Ricardo Oliveira) e domina a partida, atacando ferozmente a equipe gaúcha, que tentava sair no contra-ataque (muito bem marcado pelo São Paulo, seja tecnicamente ou por meio de faltas). Logo, o Internacional se recupera na partida, tornando-a novamente equilibrada, com as duas equipes alternando ataques por meio de transições defesa-ataque e por meio de contra-ataques. Nota-se que os ataques são caracterizados por cautela, pois pelo resultado do confronto e pelo momento da partida, sofrer um gol seria fatal.
alecsandro comemorando
Com o passar do tempo, os treinadores começam a alterar suas equipes, começando por Ricardo Gomes, que tirou o Cléber Santana (fraco tecnicamente na partida) e colocou Marlos, deixando o time paulista mais ofensivo. Em seguida, Celso Roth, que colocou Giuliano na partida, mas não deu tempo de surtir algum efeito, pelo fato de Tinga ser infantilmente expulso. O Inter, tendo um homem a menos em campo e o resultado suficiente para a classificação, recua, posicionando com duas linhas de quatro, deixando somente Alecsandro na frente.Inter com 1 a menos São Paulo 4-3-3
Taticamente, a partida termina com o desespero da equipe do São Paulo, visível quando Ricardo Gomes retira o único volante de marcação (Rodrigo Souto) e coloca mais um Meia-Atacante (Marcelinho Paraíba), nos excessivos lançamentos para área e na ida de R. Ceni para área nos escanteios, e no recuo da equipe do Internacional que se fecha ainda mais (Quanto Roth coloca Wilson M. no lugar de Taison), chegando a ficar posicionando num 4-5-0.
Desespero São Paulino
Assim, o Internacional se classifica, com merecimento (mais da partida no Beira-Rio do que na partida no Morumbi), credenciando para a final da Copa Libertadores e para ser o primeiro time brasileiro a participar de duas edições do Mundial de Clubes da Fifa. Mais uma vez volto a afirmar, se esta partida não foi o supra-sumo da técnica e tática, o equilíbrio entre as equipes, a busca pelo resultado (necessário), o ingrediente emocional e importância da partida fizeram o espetáculo digno de uma final de libertadores! O equilíbrio, tão falado por mim nesta postagem, pode ser traduzido em números, é só analisar as estatísticas da partida:


Internacional comemorando2

E você? o que achou da partida? Inter mereceu chegar à final da Libertadores e ao Mundial?
Abraços

5 comentários:

  1. Cite que poderemos ter um Inter x Inter no Mundial

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  2. Realmente a partida foi fraca tecnicamente, mas emocionante, devido a garra dos jogadores mostrado dentro de campo.
    Um ponto interessante foi o preparo psicológico dos jogadores do Inter, na final da Copa do Brasil do ano passado, muitos frisaram o despreparo psicológico do time do Inter ao decorrer da partida, resultando em desespero e brigas. Talvez essa final de 2009 tenha ajudado jogadores como o D’Alessandro. Mas vale ressalta que no ano passado o Inter corria atrás do resultado, já contra o são paulo, estava em vantagem.
    Outro ponto a ser lembrado, no beira-rio, são paulo praticamente se defendeu o jogo inteiro, no morumbi, o Internacional tentou equilibrar a partidas várias vezes e conseguiu a longo do jogo levar perigo ao gol de Rogério, uma atitude do time colorado, crucial e determinando rumo a final e ao mundial.

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  3. Concordo totalmente Douglas! Talvez o maior merecimento do Internacional foi não ter se recusado a jogar futebol! Abrir mão do ataque (mesmo com dificuldados e/ou quando está sendo pressionado) em detrimento de se defender exaustivamente pode ter consequências!! Tá aí o São Paulo eliminado, que prova esta teoria!

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  4. E ao anônimo... muito bem colocado... Há uma enorme chance de termos um INTER(nazionale) X INTER(nacional) na final do mundial de clubes. Mas podemos esperar uma Inter de Milão com um modelo de jogo diferente do que apresentou na UEFA CHAMPIONS LEAGUE, afinal, o comando agora é do Espanhol Rafa Benitez!

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  5. Perfeito e completo o artigo! Muito bom!
    Nada a acrescentar...
    Glauber, tem interesse em parceria entre nossos blogs? (troca de link)?
    Futebol – Paixão e Profissão
    Abraços!

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