segunda-feira, 7 de março de 2011

ANÁLISE TÁTICA: Liverpool 03 X 01 Manchester United

Kuyt e Soares

“You’ll never walk alone”. Definitivamente a música entoada por sua apaixonante torcida inspirou a equipe do Liverpool a realizar uma grande partida, definição em aplicada a todos os aspectos do jogo, pois foi uma grande partida nos aspectos coletivos, táticos e técnicos. A atuação da equipe da casa envolveu o Manchester United, atual lider da Premier League, de forma que houve um domínio do início ao fim, influenciado principalmente pela grande partida do uruguaio Luis Suares, na partida coletiva e grande doação dentro de campo do capitão da equipe Steven Gerrard e na grande movimentação e oportunismo de Dirk Kuyt.


O JOGO
Além de ser um clássico inglês, a partida tinha grande importância para as duas equipes. Se de um lado o Manchester precisava da vitória para se distanciar do Arsenal (que possui uma partida a menos) na briga pelo título, o Liverpool, buscando recuperação na tabela, buscava não se distanciar do grupo de cima da tabela, almejando como primeira meta a vaga na Liga Europa (já que a vaga para a UEFA Champions League está um pouco distante).
Pela situação da tabela e por jogar em casa, o Liverpool veio com uma formação tática e dinâmica/proposta de jogo bem ofensiva, buscando dominar as ações do jogo, manter a posse de bola e com movimentação dos dois lados. Já o Manchester United entrou em campo, e se manteve durante toda partida, olhando o Liverpool jogar, esperando a oportunidade de contra-ataques, que não foram constantes e nem bem aproveitados.
Sem dúvida foi uma grande partida, muito mais para a equipe de Liverpool, e sem dúvida foi um prazer assistir este jogo numa manhã de domingo. E o resultado, ao menos para mim, foi ótimo para que o possamos acompanhar uma grande disputa no campeonato inglês, já que agora o Arsenal tem a oportunidade de empatar em pontos com os “Diabos Vermelhos”.
Para quem não viu os gols, clique AQUI para assistir no site da ESPN BRASIL (Não posso colocar o vídeo no site por questões de direitos autorais!).

LIVERPOOL
O Liverpool veio escalado em um esquema 4-4-1-1, e pela grande mobilidade e dinâmica dos jogadores durante o jogo, este posicionamento sofreu diversas variações, principalmente pela grande movimentação de Suarez e Kuyt.
Formação Inicial


A escalação inicial foi a seguinte: O goleiro (25) Reina, (2) Johnson como lateral direito e (6) Fábio Aurélio como lateral esquerdo, (37) Skrtel e (23) Carragher a dupla de zagueiros, (8) Gerrard e (21) Lucas como volantes, (17) Maxi Rodrigues como “Winger” pela esquerda e (4) Raúl Meireles como “Winger” pela direita, (7) Luis Suarez como meia-atacante a frente da 2a linha e (18) Kuyt atuando como atacante (um falso centro-avante).
Esta formação inicial somente foi mantida até os 23 minutos do 1o tempo, quando o lateral esquerdo (6) Fábio Aurélio sofreu uma lesão. Em seu lugar, o treinador Kenny Dalglish colocou o Grego (16) Kyrgiacos que jogou como zagueiro, sua função de origem, enquanto (2) Johnson foi deslocado para a lateral esquerda e (23) Carragher jogou como lateral direito.
Após saída do Fábio Aurélio


Defensivamente o Liverpool se posicionava da maneira inicial (4-4-1-1), marcando em 3/4 do campo e com as linhas flutuando de um lado para o outro do campo, de acordo com a posição da bola. Ficava para Kuyt e Suarez o primeiro combate, e a 2a linha do meio campo flutava para impedir infiltrações, tanto pelo meio quanto pelas laterais. Os volantes (8) Gerrard e (21) Lucas tinham a função de roubar a bola, e rapidamente distribuir nos “Wingers”, principalmente (4) Raúl Meireles que podemos considerar o principal responsável pela transição ofensiva do Liverpool, principalmente pelos espaços mal ocupados por Nani, além da dificuldade em marcá-lo.
4-5-1 posicionamento defensivo


A grande mobilidade fez com que ofensivamente, o Liverpool variasse entre o 4-4-1-1 (posicionamento inicial de jogo), o 4-4-2 “Em linha”e o 4-3-3. Da maneira que podemos ver nas imagens abaixo:
posicionamento ofensivo - 4-4-2
posicionamento ofensivo - 4-3-3


Uma observação que faço é que apesar do posicionamento de (18) Kuyt ser predominantemente de um Centro-Avante, sua movimentação e troca de posição com (7) Luis Suarez e (4) Raul Meireles, faz com que sua função dentro de campo fosse a de um “Falso Centro-Avante”, já que nos momentos necessários ele se encontra dentro da área, mas durante a partida fazia trocas de posição com seus companheiros, jogando também dos lados do campo.
Esta grande mobilidade foi o principal motivo do sucesso das infiltrações na defesa do Manchester, que não conseguiu acompanhar o ataque adversário, principalmente porque os atacantes do Liverpool sempre tinham boas opções de passe e em contra-ataques, sempre tendo sua linha de frente composta por 2 ou 3 atletas, além da chegada de (8) Gerrard e/ou (17) Maxi Rodriguez.
Faltando 20 minutos para o fim da partida, o treinador do Liverpool definiu o 4-3-3 como esquema fixo, substituindo (4) Raúl Meireles por (9) Andy Carroll que ficou como Centro-Avante dentro da área (fazendo a “parede” para seus atletas" e sendo referências nas jogadas aéreas) e (18) Kuyt veio para a ponta esquerda, sua posição de origem.
Último - Entrada de Carrol


O Liverpool é uma equipe que vem há algumas temporadas tentando se encontrar, pois não briga por título e não disputa a Champions League, apesar de ter um bom plantel. A contratação de Suarez e Carrol é um prelúdio de dias melhores, caso mantenha este padrão de jogo e continue a se reforçar, a torcida que diz que o clube “nunca andará sozinha” terá mais motivos para cantar e sonhar com melhores campanhas ou até mesmo títulos.



MANCHESTER UNITED
Os “Red Devils” entraram em campo, com postura e posicionamento semelhante ao que teve na derrota para o Chelsea e, talvez em função disso o resultado obtido também tenha sido semelhante. Especificamente contra o Liverpool, os Diabos Vermelhos foram passivos e envolvidos pela dinâmica de jogo do adversário, e a derrota não me parece nada mais do que um resultado justo.
O Manchester veio escalado no seu posicionamento padrão, já utilizado a muito tempo (mesmo quando são testados outros posicionamentos)., o clássico 4-4-2 “Em linha”, tradicional da Inglaterra. Alex Ferguson colocou em campo: (1) Van der Sar, (21) Rafael na lateral direita e (3) Evra na lateral esquerda, a zaga desfalcada veio com (6) Brown e (12) Smalling. A 2a linha do meio campo teve os volantes (18) Scholes e (16) Carrick e os Wingers (11) Giggs inicialmente pela direita e (17) Nani inicialmente pela esquerda (na metade do 1o tempo trocaram de lado). No ataque, (10) Rooney e (9) Berbatov.
MUN - 01


A principal variação tática, era o recuo de Wayne Rooney, transformando (pela dinâmica dos atletas) o 4-4-2 em 4-2-3-1, deixando Berbatov centralizado, tendo além de Rooney chegando de trás pelo meios, Giggs pela direita, Nani pela esquerda. Em razão da dificuldade de marcação do meio campo e ataque no Liverpool, Os laterais e volantes do Manchester tiveram dificuldade em apoiar o ataque, deixando uma transição ofensiva deficitária e, desta forma, um baixo volume de jogo:
MUN - 02


No final do 1o tempo o Português (17) Nani sofreu uma forte entrada que provocou um corte profundo em sua perna. Na entrada do segundo tempo, entrou em seu lugar o mexicano (14) “Chicarito” Hernandez e em razão disso, Alex Fergusson teve de modificar a equipe, colocando (10) Rooney realizando, primeiramente, a função que era de (17) Nani no 4-4-2, e (14) Chicarito posicionado como Centro-Avante, para que (9) Berbatov pudesse se movimentar mais, principalmente pelo lado direito. MUN - 04


Com o resultado negativo e a necessidade de ao menos empatar o jogo, Fergusson modificou novamente o posicionamento da equipe, transformando o 4-4-2 em um 4-3-3 com (10) Rooney como ponta esquerda, (9) Berbatov como ponta esquerda e (14) Chicarito como Centro Avante. Desta mudança saiu único gol da equipe de Manchester, mas não foi suficiente para superar a bela partida que o Liverpool apresentou.
MUN - 04


CONCLUSÃO
Podemos tirar duas grandes conclusões ao vermos este jogo:
1a) O campeonato está totalmente aberto! Caso o Manchester não volte a jogar bem e principalmente conseguir vitórias, Arsenal (57 pontos e 28 partidas), caso pare de tropeçar, ou até mesmo Manchester City (53 pontos e 29 partidas) e Chelsea (48 pontos e 27 partidas) podem alcançar e superar o primeiro colocado do campeonato inglês. E mais, em curto prazo a ausência de Nani por lesão deverá piorar esta situação e deixar a equipe mais pragmática e com menos inspiração, e;
2a) O Liverpool é um equipe com potencial para voltar a disputar, já na próxima temporada, não só uma vaga na UEFA Champions League, mas brigar pelo título do Campeonato Inglês. Mesmo com a saída de Torres (que não vinha apresentando o futebol que o “consagrou”), a equipe ganhou muito com a chegada de Carrol e Suarez e, provavelmente deve se reforçar ainda mais para que esta perspectiva de equipe competitiva seja confirmada na próxima temporada.



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Abraços a todos!


GLAUBER CALDAS
Técnico de Futebol
Bacharel em Esporte (UEL-PR)
Pós-Graduado em Futebol (UFV-MG)

3 comentários:

  1. Parabens, exelente analise! Muito bem feita!

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  2. Mais uma vez a análise foi otima prof ,mas depois disso posso lhe dizer que ,nada oficial e meio empírico ,mas com a chegada e ¨colonização¨do futebol inglês de jogadores de diferentes nacionalidades houve uma grande mudança na forma das equipes se prepararem fisica e técnicamente para os campeonatos ,o que mudou muito a forma de jogar das duas equipes.Vale uma nova pesquisa não ??!!Abs e #tamo junto!!!

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