segunda-feira, 21 de março de 2011

Análise Tática: Chelsea 2 X 0 Manchester City

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Além de ser o “Clássico dos novos ricos”, Chelsea e Manchester City se enfrentaram almejando objetivos importantes para cada uma das equipes. O Manchester City deseja passar o Chelsea na classificação e ficar mais perto de sacramentar a obtenção da vaga na UEFA CHAMPIONS LEAGUE. Já o Chelsea busca a vitória para diminuir a distância para o líder Manchester United, para continuar sonhando com o título, mesmo que não seja uma conquista fácil, com a vitória de hoje ainda é possível.
Como era de se esperar, pelo nível técnico das equipes, foi um grande jogo, vencido pela equipe que não só buscou o ataque, em alta velocidade, mas buscou sempre a finalização e foi premiado por isso com dois gols, sendo um de David Luiz de bola parada e outro de Ramirez originado de uma organização ofensiva da lateral para o meio do campo. Podemos ver como a transição ofensiva e a organização ofensiva do Chelsea foram eficazes na criação de oportunidades de gol:

Chelsea X City



CHELSEA

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O treinador dos “Blues” fez mudanças inesperadas e surpreendentes para a partida contra o Man. City. Alterou o esquema tática utilizado normalmente (4-3-3) e ainda mais, deixou dois atletas titulares (juntos ou não) no banco de reserva. Com o intuito de deixar a equipe mais rápida e com grande mobilidade, Ancelotti escalou a equipe em um 4-4-2 “Em linha”, com (1) Cech no gol, (2) Ivanovic na lateral direita, a dupla de zagueiros (4) David Luiz e (26) Terry e (3) Ashley Cole na lateral esquerda. (5) Essian e (8) Lampard como volantes na linha de meio campo, com (7) Ramirez como winger pelo lado direito e (15) Malouda como winger esquerdo. (9) Torres e (21) Kalou no ataque.

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No segundo tempo, Ancelotti fez suas três alterações, mas apesar de trocar os atletas, não mudou suas funções e dinâmicas (apesar da velocidade de jogo ter diminuído). Portanto, a entrada de (11) Drogba e (39) Anelka aos 70 minutos e (18) Zhirkov aos 77 minutos, não alteraram o funcionamento da equipe do Chelsea. Com as alterações, o Chelsea terminou a partida da seguinte maneira:

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ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA: Marcação atrás da linha de bola, iniciando uma pressão pelos atacantes logo após o adversário passar a intermediária do campo (3/4). Ocasionalmente (9) Torres pressionava a saída de bola dos zagueiros e laterais adversários, quando a saída não era por ligação direta. Linhas compactas, impedindo a infiltração do adversário.

TRANSIÇÃO OFENSIVA: Velocidade na condução de bola, buscando a progressão pela lateral, e quando havia a oportunidade, realizando uma inversão de jogada (retirada da zona de pressão). A transição ofensiva, originada principalmente de bolas roubadas na intermediária do campo de defesa, foi a principal razão de Ancelotti ter alterado a equipe taticamente.

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA: Muita circulação de bola entre os lados do campo, buscando abrir espaços e conseguir oportunidade para infiltração (tanto pelo meio quanto pelos lados) e finalização (normalmente pelo meio do campo). O Chelsea, por encurralar o adversário chega a atacar com até 7 atletas, alternando a atuação ativa destes atletas de acordo com o lado que a equipe mantém a bola.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA: Pressão no homem da bola, e rápido reposicionamento em duas linhas de 4 compactas (organização defensiva)

PONTOS POSITIVOS: Velocidade tanto pelos lados, quanto pelo meio. Altíssima circulação de bola e grande número de finalizações. Grande atuação e entrosamento da dupla de zagueiros, especialmente de (4) David Luiz, que além do gol, está cada vez mais bem posicionado e contido nas subidas ao ataque.

PONTOS NEGATIVOS: Pouca eficiência nas finalizações, criou-se muitas oportunidades e houve somente 2 gols (sendo um de bola parada).




MANCHESTER CITY

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Os “Cityzens” tiveram um grande desfalque no jogo contra o Chelsea: Carlitos Tevez. Momentos antes do jogo iniciar, ele foi descartado por motivo de lesão e sua qualidade foi sentida na equipe que passa por uma certa turbulência com a eliminação da UEFA EUROPA LEAGUE, potencializada pela expulsão infantil de Mário Balotelli. Desta forma, o treinador do Manchester City, Roberto Mancini escalou sua equipe no 4-3-2-1 com: (25) Hart no gol, (2) Richards, (4) Kompany, (19) Lescott e (13) Kolarov compondo a linha de defesa. (34) De Jong como 1o volante e (18) Barry e (42) Toure Yaya como 2o volante, este último saindo a ponto de se tornar um meia-atacante. (7) Milner como extrema direita e (21) Silva como extrema esquerda.  (10) Dzeko na frente, mas com mobilidade, principalmente lateral.

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Aos 80 minutos, Macini colocou o polêmico (45) Balotelli em campo no lugar de (7) Milner e também (11) Johnson no lugar de (42) Toure Yaya. Desta forma, o City jogou os 10 minutos finais e acréscimos da seguinte maneira:

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ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA: Marcação flutuante à 3/4 do campo buscando a posse de bola por meio de interceptação de passes médios e longos do adversários. A defesa ia recuando de acordo com o avanço do adversário, e por isso ficava constantemente encurralada, observando o adversário procurar a melhor oportunidade de finalização (e conseguir em diversas ocasiões)

TRANSIÇÃO OFENSIVA: Utilizou-se de ligação direta, esperando dominar a segunda bola no meio campo. A transição sempre se dava pelo meio do campo, buscando os lados do campo

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA: O processo de ataque do City se limitava à circulação de bola de um lado para o outro do campo, mas sempre buscando a infiltração pelo meio do campo, de preferência finalizações de dentro da área.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA: Retardamento da equipe adversária e fechando os espaços para que, caso não conseguissem roubar a bola, ao menos permanecessem com a bola na lateral do campo (onde o perigo é menor), até que a defesa se organize.

PONTOS POSITIVOS: O goleiro (25) Hart.

PONTOS NEGATIVOS: (A) Foi constantemente encurralado pelo ataque do Chelsea durante toda a partida. (B) Não há um meio-campo de ligação de qualidade




GLAUBER CALDAS
Técnico de Futebol
Bacharel em Esporte (UEL-PR)
Pós-Graduado em Futebol (UFV-MG)


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