segunda-feira, 21 de março de 2011

Análise Tática: Sunderland 0 X 2 Liverpool

lucasreu

Após a eliminação da UEFA EUROPA LEAGUE, a principal busca na temporada para a equipe do Liverpool é a dificílima vaga para a UEFA CHAMPIONS LEAGUE (está a oito pontos do Manchester City, último na zona de classificação para o torneio continental) e jogando fora de casa, a equipe de Liverpool conseguiu um ótimo resultado. Apesar de ter recebido um “auxílio” da arbitragem na marcação do pênalti que originou o primeiro gol, os “Red’s” mereceram a vitória, pois tiveram controle do jogo e superioridade desde o início da partida, mesmo com as dificuldades impostas pelo Sunderland.
Além da análise tática, podemos comprovar esta superioridade pelas estatísticas da partida: Sunderland 0 X 2 Liverpool



SUNDERLAND

Asamoah-Gyan-Sunderland


O time do nordeste da Inglaterra veio escalado num 4-1-4-1 com (22) Mignolet no gol, (29) Ferdinand na lateral direita, (5) Mensah e (19) Bramble como dupla de zaga e (2) Bardsley como lateral direito. (11) Muntari como homem a frente da primeira linha, e com função predominantemente defensiva. (28) Sessegnon é o winger direito e (17) Welbeck o winger esquerdo, com (10) Henderson e (3) Richardson como volantes nesta linha do meio campo. No frente, (33) Gyan como o único atacante de posicionamento efetivo.

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Esta formação inicial durou somente até os 18 minutos quando, por lesão, o ganês (11) Muntari deu lugar à (6) Cattermole, que entrou exercendo exatamente a mesma função. Aos 22 minutos uma nova alteração por lesão, saindo (3) Richardson e entrando em seu lugar e função o jogador (8) Malbranque. Dessa forma, a equipe que efetivamente jogou a partida pode ser ilustrada da seguinte maneira:

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Aos 60 minutos de partida, o técnico Steve Bruce, estando perdendo a partida, susbtitui (17) Welbeck por (27) Elmohamady, posicionando-o como winger do lado direito, deslocando (28) Sessegnon para fazer dupla de ataque com (33) Gyan, com o intuito de deixá-la mais ofensiva e buscar empatar a partida. Portanto, como esta ação do treinador do Sunderland, a equipe ficou posicionada num 4-4-2 “Em linha”, como vemos a seguir:
 
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ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA: A organização ofensiva começava pelos principais atacantes do Sunderland, (33) Gyan e os wingers (28) Sessegnon e (17) Welbeck que pressionavam a saída de bola do Liverpool buscando dificultar a transição do adversário ou até mesmo roubar a bola para buscar o gol. Esta pressão se manteve por quase toda a partida e teve seu fim pela queda do rendimento físico e pelo expulsão do zagueiro (5) Mensah aos 81 minutos. A linha de defesa se mantinha predominantemente com a linha de quatro posicionada à frente da grande área e com o 1o volante (6) Cattermole dando suporte e juntamente com os outros dois volantes (10) Henderson e (8) Malbranque buscavam a marcação do homem da bola. Com a defesa recomposta, procuravam posicionar atrás da linha da bola e até pelo insucesso nesta ação, foram obrigados a “correr” exaustivamente atrás dos atletas do Liverpool, principalmente nos contra-ataques com Suarez, Caroll, Kuyt e Raúl Meirelles.

TRANSIÇÃO OFENSIVA: A ligação entre defesa e ataque foi prodeminantemente feita por ligação direta, sempre buscando (33) Gyan como referência para que este realiza-se o trabalho de pivô ou ligação direta para os wingers (28) Sessegnon e 17) Welbeck para que procurassem as jogadas pelas laterais do campo e aproximação com o atacante. Nas poucas ocasiões que a transição ofensiva era feita por meio de condução de bola ou triangulações de passe curto, acontecia pelo meio com o primeiro volante (6) Cattermole e em poucas oportunidades pela lateral direita com (29) Ferdinand.

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA: Baseava-se na procura de (33) Gyan como ponto de referência, que buscava a oportunidade de finalização ou tabelando com os wingers (que no momento ofensivo se tornavam atacantes juntos ou alternadamente). Deve-se frisar a grande mobilidade de (33) Gyan, que puxa a marcação pra chegada dos companheiros e aproxima para a realização de tabelas. Bolas cruzadas também foram constantes durante o jogo, realizadas pelos wingers ou pelo lateral direito (29) Ferdinand que os realizava da intermediária ou da linha de fundo.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA: Baseou-se no reposicionamento do meio de campo, buscando retardar a transição ofensiva do Liverpool, principalmente para que (6) retorne à sua posição para que haja um dos zagueiros que possa sobrar na defesa do Sunderland, dando suporte até que a linha de quatro atletas estivesse recomposta. Neste retardamento, há uma grande pressão sobre a bola com o intuito de “matar” o contra-ataque.

PONTOS POSITIVOS: (A) Pressão na marcação da saída de bola do adversária, (B) Qualidade individual do seu centro-avante (33) Gyan e (C) boa movimentação e interação entre os atacantes da equipe (centro-avante e wingers).

PONTOS NEGATIVOS: Abusa excessivamente da ligação direta, sendo que seria possível ter uma transição rápida e com qualidade caso os wingers buscassem mais a bola e houvesse uma interação maior com o lateral direito (29) Ferdinand.




LIVERPOOL

suarez


Os “red’s” não puderam atuar com seus principais atletas pois, por motivo de lesão, o meio-campo Gerrard e o lateral esquerdo Fábio Aurélio não foram relacionados para a partida. No confronto contra o Sunderland a equipe londrina foi escalada pelo seu treinador Kenny Dalglish com (25) Reina, (23) Carragher na lateral direita, (37) Skrtel e (5) Agger como dupla de zagueiros e (2) Johnson mais uma vez improvisado na lateral esquerda (lateral direito de origem). (21) Lucas e (26) Spearing como a dupla de volantes; e (18) Kuyt como winger pelo lado direito (alternando como ponta direita) e (4) Raúl Meirelles como winger do lado esquerdo (alternando como meio-campo central). Na frente o centro-avante (9) Carroll e (7) Luis Suarez.

liverpool
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A partir dos 71 minutos, o técnico Kenny Dalglish, promoveu suas três modificações. As entradas de (24) Ngog aos 71 minutos, (17) Maxi Rodriguez aos 83 minutos e (10) Joe Cole aos 88 minutos nos lugares de (9) Carroll, (4) Meirelles e (7) Suarez respectivamente, não alteraram a equipe taticamente, pois os atletas que entraram, mesmo que por pouco tempo, realizaram as mesmas funções dos que saíram. Ao final da partida, o Liverpool estava da seguinte maneira:  
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ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA: Defesa posicionada atrás da linha da bola, para retardar o ataque adversário por meio de infiltrações. Linhas compactas e próxima uma da outra tornado-se praticamente um bloco único, que vai circulando dos lados e fechando os espaços de acordo com o deslocamento do adversário. Em momentos de transição defensiva, posiciona-se no 4-4-1-1, ficando somente Carroll isolado na frente. A marcação é predominantemente em 3/4 do campo.

TRANSIÇÃO OFENSIVA: A transição Defesa-Ataque é muito rápida, principalmente pelo trabalho de rápida distribuição de bola dos volantes e mais ainda a rápida movimentação de (14) Kuyt, (4) Raúl 
Meirelles e (7) Luis Suarez, tendo (9) Carroll como ponto de referência e pivô no centro do ataque.

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA: Nesta partida o ataque do Liverpool foi realizado basicamente pelos seus quatro homens de frente, pois houveram pouquíssimas subidas dos laterais e apoios dos volantes. Desta forma, a ação defensiva era feita com qualidade, assim como a distribuição de bola da linha de defesa e dos volantes na transição defesa-ataque era rápida e eficiente, para que os jogadores de ataque pudessem sair com velocidade e eficiência. No momento ofensivo, a equipe mudava do 4-4-2 “em linha” para o 4-3-3 como vemos no desenho tático acima.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA: Basicamente é buscar o retardamento do contra-ataque adversário, de modo que os jogadores se posicionem no bloco de duas linhas de quatro jogadores, situado atrás da linha da bola, de modo que (7) Suarez faça a primeira abordagem à bola adversária.

PONTOS POSITIVOS: (A) Velocidade e qualidade técnica do ataque, (B) Solidez da defesa e  (C) Transição defensiva rápida e eficaz.

PONTOS NEGATIVOS: (A) Falta de apoio dos laterais, (B) pouco apoio dos volantes e (C) ainda falta um melhor entrosamento de (9) Carroll com seus companheiros




GLAUBER CALDAS
Técnico de Futebol
Bacharel em Esporte (UEL-PR)
Pós-Graduado em Futebol (UFV-MG)


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